quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Fé e força para fazer o novo Rio Grande

Nenhum gaúcho, em sã consciência, gostou da imagem que correu o Brasil do cerco à casa da governadora Yeda Crusius por ativistas comandados pelo Cpers. Mais do que ponto negativo para o Estado, o cenário cristalizou a profundidade do poço em que estamos metidos. O fato demonstrou, por todos os ângulos, que rompemos com as mínimas regras de respeito nas relações políticas e sociais.

É evidente o desconforto da sociedade com o clima de beligerância crônica que tomou conta da vida política gaúcha. Não se trata de apenas criticar a ação de uns e a reação de outros, o que, aliás, faz parte das nossas tradições seculares. O que importa diante dessa situação limite é tentar buscar um novo caminho de convivência construtiva para os gaúchos. Não a paz de acordos hipócritas da política tradicional, mas um pacto de futuro, que aponte um caminho diferente para as novas gerações.

Nos últimos anos, o Brasil melhorou, integrando-se de forma mais efetiva do ponto de vista econômico, tecnológico e social. Os comerciários, por exemplo, são testemunhas das mudanças
verificadas, especialmente em relação ao acesso de novas e amplas parcelas de trabalhadores ao mercado consumidor. No entanto, ao contrário de outras regiões do País, o Rio Grande do Sul deixou o cavalo passar encilhado mais uma vez. Um tempo perdido que termina comprometendo desnecessariamente uma geração inteira.

É urgente construir uma nova maneira de ver o mundo, não mais autocentrada em nossa ufanista autossuficiência, mas nas interrelações que a era pós-Lula & Obama permite estabelecer. Em tempos de internet e de Mercosul, a existência de uma faixa de fronteira, por exemplo, que condena mais da metade do Estado ao atraso econômico, é uma espécie de símbolo dos fantasmas que habitam a velha política gaúcha. Integrar-se é hoje o caminho mais seguro para garantir desenvolvimento, reconhecimento e valorização social e, mesmo, soberania, se for o caso.

Diante da crise econômica, os trabalhadores, por meio de suas centrais, tiveram atuação fundamental sugerindo medidas para estimular o mercado interno, a geração de renda e o emprego. É essa a nova realidade de ação unitária, propositiva e parceira com outros setores, inclusive os governos, que permite enfrentar e superar a crise econômica. O mundo está deixando para trás a Guerra Fria. Por aqui, é hora de abandonar a guerra civil ideológica e
apostar no trabalho em favor do bem-estar coletivo.

* Artigo publicado no Jornal do Comércio, edição de 6 de agosto de 2009.

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