domingo, 2 de maio de 2010

Qualificar para crescer

A superação da crise econômica demonstrou o vigor da nossa economia, a importância do mercado interno e o novo papel dos trabalhadores na sociedade, que atuaram de forma propositiva na sugestão e implementação de medidas econômicas e de políticas públicas. Ao mesmo tempo, no entanto, a realidade pós-crise evidenciou um grave problema que exige a atenção do governo, dos empresários e, novamente, dos próprios trabalhadores e suas entidades. Mal ultrapassamos a tormenta, os níveis de empregos foram praticamente recuperados, mas muitos deles – 1,6 milhão em 2009, segundo o Sine - permaneceram vagos por falta de qualificação de seus pretendentes.

Trata-se de uma preocupação que deve nortear a ação das centrais sindicais, dos empresários, do governo, enfim, da sociedade gaúcha e brasileira daqui para a frente. A estabilidade econômica, o desenvolvimento sustentável e a melhoria das condições de vida dos trabalhadores dependem das medidas adotadas para enfrentar essa fragilidade nacional. Como nunca em nossa história, a educação formal em todos os níveis e a qualificação profissional precisarão andar juntas para enfrentar os desafios da nova realidade social e econômica do país.

A qualificação profissional que precisamos deve estar sintonizada com as reais necessidades dos trabalhadores, empresários e com a economia dos estados e municípios. Nesse sentido, é importante a construção de políticas regionais de qualificação profissional, ouvindo a sociedade - Sistema S, Prefeituras, Câmara de Vereadores e entidades empresariais e sindicais - para definir as demandas reais das regiões. Alterar as regras do CODEFAT (Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador) para permitir que sejam realizados cursos para trabalhadores empregados, é também medida urgente, entre várias que precisam ser adotadas.

A maior qualidade dos nossos produtos, a afirmação da nossa economia internamente e em nível mundial, o sucesso na Copa do Mundo de 2014, a autoestima dos trabalhadores, a luta contra as drogas, isso tudo depende de como e quanto investirmos em educação e qualificação profissional. A valorização do “mundo do trabalho” em seu aspecto mais amplo, colaborativo e desprovido de preconceitos é o novo caminho aberto que devemos trilhar e que celebramos neste 1º de Maio de 2010. Que este Dia do Trabalhador seja um momento de reflexão sobre o Brasil que queremos, que podemos e que devemos construir com qualidade, em todos os sentidos.

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