quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O Brasil deve continuar crescendo


O governo Lula apostou no mercado interno para enfrentar a crise econômica mundial. Reduziu impostos, ofertou crédito, valorizou o Salário Mínimo e, com isso, estimulou a produção e o consumo. Uma situação praticamente inédita no país, que gerou grande oferta de empregos e geração de renda. Um quadro de emergência das classes C e D para a classe média tradicional, como definiu o próprio governo. Os trabalhadores apoiaram essa política e apostaram na sua continuidade.

Mal terminaram as eleições, a sinalização das autoridades econômicas não é das mais positivas. Sob a antiga alegação de “combate a inflação”, a equipe econômica resiste a reajustar o Salário Mínimo além de R$ 540,00, ao mesmo tempo em que anuncia uma forte restrição ao crédito. O objetivo é, segundo o governo, conter o consumo crescente, que não teria correspondência na ponta da produção. Uma política que, aparentemente, a sociedade brasileira considerava coisa de um passado já meio distante.

Por outro lado, o câmbio desfavorável ao país e o aumento das taxas de juros também conspiram contra o emergente mercado interno. Com isso, aprofunda-se a especulação financeira e a invasão de produtos estrangeiros, pelas mais variadas formas. A decorrência já em curso é a desindustrialização do país, com repercussão direta no nível de empregos. Aumentando a preocupação, o governo também sinaliza com aumento de impostos e corte de gastos públicos, especialmente nos investimentos nas obras do PAC.

É natural a busca do equilíbrio financeiro das contas do país e também o controle da inflação. Mas, é inaceitável a adoção das velhas receitas anti-inflacionárias recessivas, que premiam a farra dos bancos e penalizam a produção, o emprego e a renda. O Brasil amadureceu ao longo dessa década em que experimentou um longo período de estabilidade econômica e bem estar social. A continuidade dessa política desenvolvimentista foi o principal compromisso eleitoral do novo governo eleito. Os trabalhadores não aceitarão a política do “freio de arrumação” as custas dos seus empregos e salários.

* Clàudio Janta é presidente das Força Sindical – RS e secretário-geral do Sindec.

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