segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Piso regional - Centrais sindicais reivindicam reajuste de 17,33% no piso regional

Correa, segundo da esq para a dir
As centrais sindicais gaúchas definiram em reunião nesta sexta-feira o índice de 17,33% de reajuste do piso regional a ser pleiteado pela categoria dos trabalhadores junto ao Legislativo. As seis centrais – Força Sindical-RS, CUT, CGTB, NCST, CTB e UGT estiveram reunidas na sede da CUT em Porto Alegre com o técnico do Dieese, Ricardo Franzoi.

Além do piso, a reunião serviu para traçar os rumos da campanha estadual pelo piso regional e a agenda unificada de atividades. O índice de 17,33% corresponde à média do PIB dos últimos dois anos, do Estado e do país, acrescido do INPC acumulado dos últimos 10 meses, mais um percentual do acúmulo da perda do piso regional, desde sua criação, em 2001. Essa recuperação do valor histórico será dividida em duas parcelas.

Na próxima terça-feira, haverá concentração de sindicalistas na Assembleia Legislativa às 13h. Logo depois, às 14h, está prevista uma audiência com o governador Tarso Genro e às 16h a pauta será protocolada pelas centrais na Assembleia, em reunião com o presidente do Legislativo, deputado Adão Villaverde.

O diretor da Força Sindical-RS Cláudio Correa, que vem acompanhando os encontros preparativos da campanha pelo piso regional 2011 há um mês, disse que os 17,33% satisfaz em parte os trabalhadores. “Nesse índice não está todo o valor que temos que recuperar. A ideia de 17,33% é porque se abriu a diferença que ainda falta recompor em duas parcelas de 8,59%. O percentual seria nesse momento 17,33% que iria recuperar 50% do valor que era o piso quando foi criado”, afirmou.

O sindicalista acredita que o índice é o começo da luta por melhores reajustes e que o Estado tem condições de cumprir e de pagar o piso estipulado. “Um exemplo claro é que a Assembleia Legislativa reajustou em 64% o salário dos deputados e a população e os empresários não impediram”, argumentou. Outro ponto levantado por Correa foi o fato do governo gaúcho hoje estar sob a gestão de um partido originário da classe trabalhadora. “Não acredito que tenhamos problemas para aprovar aqui o piso que reivindicamos”, completou.

Os sindicalistas também abordaram a questão do mínimo nacional e a correção da tabela do Imposto de Renda (IR).

Correa comparou Dilma a Lula e afirmou estar otimista que a presidente atenda a reivindicação dos trabalhadores. “Não vamos negociar mais com o Lula, estamos negociando com uma administradora que acima de qualquer coisa quer ver os dados e os números. Acredito que o início é meio tumultuado, mas vai se perfilando porque o movimento sindical ajudou o país a sair da crise”, lembrou.

O economista do Dieese, Ricardo Franzoi, indicou a necessidade de revisão dos critérios de reajuste nos índices salariais. “O que tornaria o salário mais perto da realidade seria não ficar pagando o reajuste baseado no PIB de dois anos atrás, porque a economia está crescendo”, opinou economista, afirmando que esse raciocínio se aplica tanto ao mínimo regional quanto o nacional. Segundo ele, a principal questão atualmente é a garantia de uma política permanente de recuperação do salário.

“No mínimo regional temos um valor muito defasado em relação ao nacional, mas temos que ter em conta ainda que o piso regional não tem acompanhado o crescimento e a distribuição da economia gaúcha”, explicou.

Oniro Camilo, vice-presidente da NCTS, destacou que a mobilização unificada entre as centrais sindicais está maior em 2011, já que foi construída desde 2010. “As centrais estão preocupadas com os trabalhadores e com a valorização do piso regional aqui no Rio Grande do Sul”, disse. Conforme o sindicalista, a recuperação dos 27% de defasagem do piso é importante e há uma expectativa dentro do movimento sindical de que com o governo Tarso Genro haja uma nova visão sobre o mínimo estadual e o índice volte ao mesmo patamar de 2001, que era 1,28% acima do salário mínimo nacional.

Nessa direção, Henrique Silva, diretor da CTB, disse que a campanha unificada com as demais centrais torna o piso regional uma exigência concreta. “Queremos discutir e aprovar no Rio Grande do Sul a valorização e o reconhecimento da manutenção do piso estadual”, frisou. Conforme Silva, o momento de desenvolvimento do Estado passa pela valorização do mínimo regional e que isso aconteça de fato.

O sindicalista também defendeu o salário mínimo nacional de R$ 580 e disse que o posicionamento da presidente Dilma Rousseff, ao não negociar um reajuste maior, significa um retrocesso da política que vinha sendo implantada na valorização do trabalhador. “Valorizar a política que havia antes, de ganho real mais o crescimento em relação ao quadro do salário mínimo nacional, realmente faz diferença em relação ao quadro de economia do Brasil. O posicionamento dela não vem ao encontro da posição dos trabalhadores”, criticou.

O forte processo de unidade entre as centrais sindicais deverá dar o tom da luta pelos direitos dos trabalhadores na campanha deste ano. Essa é a opinião do presidente da CUT-RS, Celso Woyciechowski. “O mínimo regional perdeu ao longo dos anos muito da sua valorização, seja em relação ao mínimo nacional ou comparado ao crescimento da economia do nosso Estado”, ressaltou.

A mobilização dos trabalhadores buscará na Assembleia Legislativa a recuperação do piso e um salário compatível com o trabalho do Rio Grande do Sul. O sindicalista da CUT também acredita que as negociações pelo salário mínimo nacional vão avançar até os R$ 580 pedidos pelas centrais sindicais. “É possível e a economia permite, há um lastro dos últimos anos em que foi mostrado que a política do salário mínimo dá possibilidades de distribuição de renda e oxigenação da economia”, garantiu o dirigente da CUT.

Os sindicalistas lamentam a maneira conservadora com a qual o governo nacional está tratando o salário mínimo e o reajuste da tabela do Imposto de Renda. “Essa postura não contribui para o desenvolvimento e nem para a geração de renda”, garantiu Woyciechowski.

De acordo com César Pacheco Chagas, presidente da CGTB, o índice do piso regional foi definido a partir do consenso entre as centrais como o que efetivamente recuperará as perdas ao longo dos anos. Em relação ao mínimo nacional, a central está trabalhando para melhorar a proposta do governo federal. “Nos estranha a proposta da presidente Dilma, bem diferente daquilo que é o anseio do trabalhador. Assim continuaremos pressionando pela recomposição do mínimo de R$ 580 e também pela redução da tabela do IR”, finalizou.

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