sexta-feira, 22 de julho de 2011

"O Brasil tem a taxa de juros mais alta do mundo, prejudicando a produção interna", critica Janta


Como solução, produção, geração de emprego e renda e investimento maciços devem ser promovidos pelo governo

A nova alta da taxa básica de juros (Selic) pela quinta vez consecutiva, que eleva os juros agora a 12,50% a.a., foi anunciada ontem pelo Banco Central e prejudica o consumo, não promovendo o desenvolvimento do país. A classe mais atingida pela alta é a que concentra as pessoas que estão conseguindo se tornar consumidores estáveis, ou seja, a classe dos trabalhadores, segundo afirma o presidente da Força Sindical-RS, Clàudio Janta.
Nesta entrevista, o sindicalista explica como a alta atinge os trabalhadores e atua em proveito de especuladores.
Repórter - O que o novo aumento da taxa Selic significa?
Cláudio Janta - De novo o Brasil tem a taxa de juros mais alta do mundo, prejudicando a produção interna. Quando os juros aumentam deste jeito, a indústria e o mercado que gera emprego e renda perdem dinheiro. A taxa de juros não conterá a inflação, pelo contrário. Acreditamos que a elevação dos juros tende a tirar os investimentos que as empresas poderiam fazer em produção e geração de renda e isso desaquece a economia. O Brasil já fez essa lição de casa: na crise econômica que tivemos há três anos atrás, o Brasil investiu na economia interna, investiu na geração de emprego, investiu na produção e mercado locais, conseguindo superar essa crise. Agora, no entanto, volta a velhos antídotos que têm quebrado o país, sem surtir efeitos positivos. Somos completamente contrários a essa taxa de juros, que só beneficia o mercado especulativo, a quem não produz e fica apenas aproveitando e explorando as pessoas.
R - A massa de trabalhadores é bem maior que os especuladores e por isso perde mais com a taxa de juros. Como a alta da Selic influi no dia a dia das pessoas?
CJ - Influi muito. Por exemplo, as pessoas que usam o parcelamento para adquirir bens duráveis, que usam o parcelamento do cartão de crédito para alimentação vão ter que se restringir, porque esse índice de juros torna proibitivo o consumo, torna caro para que as pessoas adquiram alguma coisa para a sua casa, para sua empresa. Tudo isso em função desse capital especulativo que manda no Brasil. O governo tem realizado várias políticas para o setor de produção, mas nenhuma política forte e consistente no sistema financeiro, sem enfrentar os financiadores de campanha eleitoral. Isso dificulta em grandes dimensões o crescimento e o desenvolvimento do país.
R - O que as centrais sindicais sugerem como política econômica sustentável que inclua os trabalhadores?
CJ - É essencial investir na indústria nacional e na produção. A especulação não gera empregos, é um dinheiro virtual, que 'dorme' no Brasil e 'acorda' na Ásia, na Europa. Agora a produção e a geração de emprego e renda, o investimento maciço devem ser promovidos pelo governo, com políticas públicas de desenvolvimento, de saneamento e, principalmente, de educação, que podem transformar o Brasil efetivamente numa grande potência e não num mercado especulativo.
Confira a Nota Oficial da Força Sindical sobre o aumento da taxa de juros clicando aqui.

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