quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Janta, presidente da Força RS, analisa lutas de 2011 e projeta novas vitórias para 2012

Hoje a campanha unificadas das centrais sindicais realiza novo ato contra juros altos e o capital especulativo que oprime os trabalhadores brasileiros. Os sindicalistas protestam em frente ao Banco Central em São Paulo.

A Força Sindical continuará encampando esta causa em 2012, avançando posições pela agenda trabalhista. Além da luta contra os juros, este ano será fortalecida a batalha pela redução da jornada de trabalho para 40 horas, regulamentação e qualificação profissional e Trabalho Decente, conforme determinação da Organização Internacional do Trabalho (OIT).



Em entrevista exclusiva, o presidente da Força Sindical-RS, Clàudio Janta, faz uma análise sobre as lutas de 2011 e as batalhas de 2012. Conforme Janta, mais uma vez o apoio e a participação dos trabalhadores é mais do que necessária. Acompanhe:

Repórter - Qual a sua avaliação sobre as lutas do movimento sindical de 2011 neste início de 2012?

Clàudio Janta - O movimento sindical em 2011, como nos anos anteriores, apresentou grandes avanços, apesar de não ter obtido algumas vitórias almejadas. Conseguimos uma política para o salário mínimo, conseguimos manter a unidade do movimento sindical, realizando grandes atos em várias capitais brasileiras consolidando a unidade do movimento sindical, o que continua hoje com o movimento contra os juros. Defendemos a 2° Conclat (Conferência Nacional da Classe Trabalhadora) que se fez em São Paulo, no Estádio do Pacaembu.

Participamos ativamente deste evento. Mantivemos nossa luta no Congresso Nacional, lutando por uma política de salário mínimo e já iniciamos 2012 com o salário mínimo reajustado. As categorias mantiveram ganho real para os trabalhadores e também conseguimos uma grande mobilização do movimento sindical que prega há muito tempo a diminuição da taxa de juros e continuamos aí na luta para baixar mais os juros.

R - A que você atribui a não regulamentação de profissões importantes para a sociedade e a continuidade do Fator Previdenciário, que oprime o trabalhador?

Janta - Esses problemas são atribuídos à política de governo, uma opção, principalmente em se tratando da regulamentação dos comerciários, em função dos muitos interesses em jogo. Regulamentar uma profissão da forma que defendemos não é só dizer que a profissão existe, mas querer regras de funcionamento, regras de conduta, que tenha as formas de trabalho na regulamentação. 

Reconhecemos que houve um avanço no Senado no final do ano quando aprovou a regulamentação, mandando para a Câmara a votação da categoria dos comerciários, com uma jornada de trabalho de oito horas, destacando qual é o tipo de trabalho que o comerciário pode fazer, qual o tipo de remuneração e comissão deve receber. Um trabalhador como este não pode ter diferenciação salarial por bairro, tipo de loja em que trabalha.

Temos também a categoria dos rodoviários que continua ainda com o Estatuto a ser debatido. Esse Estatuto vai dizer a jornada de trabalho dos rodoviários sindicalizados, sejam eles motoristas de ônibus, contratados ou autônomos. 


Há ainda a profissão dos vigilantes, absurdamente sem regulamentação. Quando for regulamentada, será descrito o que é a categoria dos vigilantes. Hoje em dia há um briga muito grande, porque vários setores da sociedade usam operários trabalhadores dizendo que são vigilantes, mas não são. Estas pessoas fazem guarda de rua ou de bairro. Essa confusão coloca em risco os trabalhadores e a sociedade. Aqui no Estado conseguimos aprovar uma lei do deputado Paulo Odone que proíbe absurdos como o caso em que cães estavam fazendo o trabalho de vigilância. Hoje isso é proibido. Portanto, regulamentar estas profissões é uma necessidade da sociedade.

R - E o Fator Previdenciário?

Janta - Já o Fator Previdenciário é uma briga, porque o governo acha que não tem dinheiro para pagar essa aposentadoria assim como acha que não tem dinheiro para pagar as aposentadorias acima do salário mínimo. Isso é gestão, não adianta, nenhuma empresa no mundo arrecada mais que a Previdência Social brasileira. Se tirarmos o caixa único da União com certeza a Previdência tem condições de pagar aposentadoria digna, tem condições um salário digno para os aposentados. Então nós estamos no aguardo do Congresso Nacional.

R - Quais outras vitórias dos trabalhadores você destaca?

Janta - Uma das principais vitórias que tivemos no Congresso ano passado foi a Emenda 29, que defendemos há muitos anos. Tem que ter mais dinheiro para a Saúde. Os municípios têm que tirar algumas rúbricas que definem e desviam o dinheiro da Saúde. Estes valores têm de ser exclusivamente para a Saúde e não para Saneamento, Logística, Transporte, pagamento de funcionários, nada disso.

2012 é um ano de expectativas, a gente vai seguir mobilizando o Congresso Nacional, apesar de ser um ano eleitoral, quando as coisas ficam mais difíceis no Brasil, mas vamos lutar pela redução da jornada de trabalho para 40 horas. Acreditamos que esse caminho vai ajudar o Brasil a se desenvolver, vai permitir que os trabalhadores tenham mais convívio com sua família, mais tempo para estudar, mais tempo de lazer para ter acesso à cultura e ao esporte. Ou para descansar. Lutaremos também pelo fim do Fator Previdenciário, pelas Convenções 158 e 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Do ano passado, destacamos ainda o grande desafio para 2012, que é o Trabalho Decente. Fizemos as conferências estaduais e vamos lutar para efetivar esta política com todas as nossas forças. Contamos com o apoio e a participação de todos os trabalhadores brasileiros.


Texto: Josemari Quevedo

Colaboração: Ligiane Brondani

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