terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Seca no Sul e chuva em MG elevam preço do leite

A falta de chuvas na região Sul do país, principalmente no Rio Grande do Sul, e o excesso delas  em Minas Gerais estão levando os laticínios brasileiros a reajustar os preços do leite longa vida no atacado, o que também deve chegar ao varejo, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Leite Longa Vida  (ABLV). O aumento por parte das indústrias é gradual  e a expectativa  é de que alcance 10% até o fim deste mês, afirma Laércio Barbosa, presidente da ABLV.

A razão para a alta, diz, é que quase de 60% da produção nacional de leite, cerca de 15 bilhões de litros, está concentrada em Minas Gerais (o maior produtor nacional) e nos Estados de Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Os problemas climáticos afetam a captação de leite,  frustrando a expectativa da indústria de uma maior disponibilidade de matéria-prima, o que é normal para  esta época do ano, conforme a ABLV.

Barbosa explica que a  seca chegou mais cedo no Rio Grande do Sul, afetando a produção de leite. Já em Minas, há problemas logísticos e de produtividade.  “O leite demora a chegar [nas fábricas]  e quando chega, tem problemas de qualidade”, afirma. Além da dificuldade de transportar a matéria-prima, a produtividade do rebanho leiteiro também está sendo afetada em algumas regiões de Minas por causa do excesso de chuvas.

Atualmente, o preço do longa vida no atacado está entre R$ 1,50 e R$ 1,70 o litro, dependendo da região do país, segundo o presidente da ABLV. No varejo nacional, varia de R$ 1,70 a R$ 2,00.

Laércio Barbosa afirma que os problemas climáticos impediram a queda dos preços do leite ao produtor. Com isso, em Minas, por exemplo, os laticínios estão pagando, em média, R$ 0,85 pelo litro da matéria-prima aos produtores. No mesmo período de 2011, o preço era 15% inferior, diz.  “Não caiu o que deveria ter caído”.

Em dezembro passado, o preço médio pago as produtores de leite (pela matéria-prima entregue em novembro) ficou em  R$ 0,8458 por litro na média nacional, segundo levantamento Cepea/Esalq. Para Barbosa, a próxima pesquisa já deve mostrar o novo cenário.

Ele acredita que os efeitos das chuvas em Minas Gerais na oferta de leite são pontuais, mas no Sul a situação “é mais grave”. “A seca  no Sul compromete a colheita de soja e milho que são usados na silagem que alimenta o gado”, observa.

Se o quadro de seca persistir, afirma, a produção leiteira pode ficar comprometida no período de safra no Sul, a partir de maio.

Fonte: Valor Econômico

Nenhum comentário:

Postar um comentário