sexta-feira, 31 de maio de 2013

Clamor coletivo por justiça no caso Kiss

O que presenciamos nesta semana foi o escárnio descarado da impunidade e o desrespeito à vida. A liberação dos presos pelo incêndio da boate Kiss caiu como uma bomba para as famílias das vítimas e para toda a sociedade, que também viveu o drama de Santa Maria. Se já seria difícil lidar com a perda de um jovem nesta circunstância brutal, que dirá de 242 vidas, tiradas pela combinação de atos negligentes destas pessoas e de outras figuras, que ainda permanecem abafadas pelo manto da impunidade.

Nos mobilizamos, como num acordo social coletivo, para que jamais tivéssemos que viver novamente tamanha tragédia. O poder público reforçou a fiscalização e a observância das medidas de segurança, acatadas com mais facilidade - ficou provado que os riscos são reais. A população marchou em memória das vítimas, clamando para que, ao menos, toda a dor não fosse em vão. Que todos os indivíduos que atuaram direta e indiretamente fossem detectados e que arcassem com o peso das medidas que tomaram ou que deixaram de tomar.

A prisão dos donos da boate e dos responsáveis pelo uso do artefato pirotécnico que iniciou o pesadelo no qual ainda estão imersas as famílias dos 242 jovens, deveria ter sido apenas o começo. Em meio à dor, a esperança de justiça era a única coisa que restava, mas que, numa decisão divulgada no dia 29, foi, no mínimo, abalada. Foi o crime do crime.

Uma Justiça que privilegia a liberdade de quem assume o risco de matar, nega o direito a vida da vítima. Como confiar num sistema que trata 242 mortes de jovens, como um episódio corriqueiro, passível de habeas corpus? O caso da Kiss abalou o mais profundo da nossa estrutura coletiva e humana, sem falar da repercussão midiática em nível internacional.

A liberdade concedida a eles, é a liberdade negada a sociedade, que se vê mais uma vez refém da impunidade, e é também a liberdade negada às famílias envolvidas, condenadas ao sofrimento puro e sem perspectiva.
Foto: Adriana Franciosi/Agência RBS

Nenhum comentário:

Postar um comentário