sexta-feira, 6 de junho de 2014

Porto Alegre em Debate: Copa do Mundo

Participamos nesta tarde da gravação do programa Porto Alegre em Debate, junto ao presidente do Sindpoa, Carlos Henrique Schmidt, e o representante da Secretaria Extraordinária da Copa, Maurício Reis Nothen. Discutimos o que esperar da realização da Copa do Mundo em Porto Alegre, os reflexos para os trabalhadores e que legado isto nos deixa. 

Para os trabalhadores, nenhum. Apenas a oportunidade de mostrar a nossa cultura, de divulgar a nossa imagem. O ministro da Saúde chegou a afirmar que o investimento em Saúde foi 100 vezes maior que o investimento em obras da Copa. Mentira. Porto Alegre então, está com dois hospitais em vias de fechar as portas e um que não consegue abrir, por falta de profissionais, na Restinga. Na segurança, temos mais brigadianos nas ruas apenas no "caminho da Copa". Efetivo não aumentou, apenas foi deslocado das cidades do interior e das periferias para reforçar o evento da Fifa. Que bom seria se saúde e segurança fossem legados permanentes.

Também é dito que o evento está movimentando milhões no nosso país, o que é verdade. Mas não para os nossos trabalhadores nem para a nossa cidade. É de indignar o nosso estado bancar R$ 25 milhões em isenções para as estruturas temporárias da Copa que, só no primeiro jogo, ainda vai ter um lucro estimado em R$ 26 milhões. Além de ganhar as isenções, lucrar com ingressos e patrocínios milionários, a Fifa vai morder 50% da receita dos hotéis. E se a Copa gerou emprego, não foi para os nossos trabalhadores, porque a mão de obra das empreiteiras, que também tiveram o que comemorar, é toda de fora.

Falamos ainda do nosso projeto de feriado nos dias de jogos em Porto Alegre, que a Câmara deve empastelar. Os órgãos públicos terão ponto facultativo nestas datas, sendo uma das justificativas aqui apresentadas a de "aliviar o tráfego", já que o trânsito terá vias arteriais interrompidas nestes dias. Só que o mesmo não vale para o trabalhador. Fazendo uma reflexão sobre o comércio, serão 116 mil comerciários que terão que disputar espaço no trânsito, fazer mágica para bater ponto no horário e ainda passar o dia todo sem vender uma televisão, uma geladeira, um fogão. Serviços essenciais devem funcionar, precisamos de uma estrutura para atender tanto o morador de Porto Alegre, quanto o turista. Mas se a prefeitura assume que transtornos são necessários para "um bem maior" que é a realização da Copa e para "a segurança" do evento e do grupo seleto que vai acompanhar as atividades no Beira-Rio, porque é que nós precisamos driblar tudo isso para tentar manter uma rotina que não vai ser produtiva?

A Copa vai acontecer, e queremos que ocorra da melhor forma. Mas não podemos tolerar que sejam ditas mentiras, engolir os mandos e desmandos e ainda sermos privados de participar. 

O programa vai ao ar na TV Câmara, canal 16 da Net, segunda-feira, às 21h. Reprises quarta (20h), sexta (21h) e domingo (9h e 14h).


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