sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Tragédia anunciada e insegurança no PACS

A última noite deve ter sido particularmente difícil para os funcionários do Pronto-Atendimento da Cruzeiro do Sul (PACS). No final da tarde da quinta-feira (27/11) aconteceu o que os trabalhadores mais temiam: a violência adentrou as portas do posto de saúde. Situado em meio a uma região conflituosa de Porto Alegre, marcada pela violência do tráfico, o Postão da Cruzeiro era o último baluarte da paz, símbolo de vida na comunidade. Nesta sexta-feira, amanheceu com as portas fechadas.

Corredor no interior do PACS - 27/11/2014

Um homem foi executado a tiros em plena unidade de Saúde, onde circulam famílias, crianças, os enfermos e os funcionários, em pânico com a situação. Cientes de que alguma violência do gênero poderia acontecer, há muito tempo os servidores já se mobilizavam para que fosse instalada uma unidade da Brigada Militar no local, para reforçar a segurança na área do posto. Infelizmente a demanda passou batida, assim como tantas outras denúncias dos servidores do PACS, que recentemente denunciaram práticas como assédio moral, violação do cartão-ponto e perseguição à Comissão de Saúde e Meio Ambiente (Cosmam) da Câmara Municipal.

Entrada do PACS - 27/11/2014
Assistimos a transformação de uma unidade de Saúde em cena de crime. Uma unidade, vale lembrar, que não atende somente àquela comunidade, mas que é referência em Porto Alegre e para onde são encaminhados também pacientes de outros municípios.

Na tarde desta sexta-feira, o saguão do PACS foi a sala de reunião entre servidores e gestores. Enfermeiros, médicos, técnicos, expuseram a aflição dos trabalhadores da Saúde, a falta de segurança, de funcionalidade do sistema de vigilância, da circulação, da exposição de informações dos pacientes.


O clima é de consternação e de medo. Dos encaminhamentos tirados pelos servidores, que não têm condições emocionais para seguir trabalhando normalmente nessas condições, foi proposto o luto por 3 dias. Entretanto a secretaria afirma que reforçará a segurança na unidade nos próximos dias para que serviço siga funcionando. Mas até quando? Quando é que a gestão vai abrir os olhos para a situação da Saúde e os ouvidos para o que os servidores vêm dizendo?



Precisamos de medidas concretas, de AÇÕES urgentes na Saúde em Porto Alegre. Não foi um fato isolado, mas mais um acontecimento trágico de um sistema que não vai bem. Daremos continuidade ao debate na Câmara, que recebeu nesta semana o secretário Carlos Casartelli. Vamos discutir o assunto, com as portas abertas aos servidores, na próxima reunião da Cosmam, na terça-feira (02/12), a partir das 11h.

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