quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Chantagem que vem de cima



As manobras do governo para aprovar a todo o custo a revisão da meta do superávit primário, além de atestarem a incompetência de gestão, mostram o quão sórdido é o jogo político que tem como moeda de troca o dinheiro público, na forma das emendas parlamentares. Foi decretado pela presidente Dilma o aumento do bolo para R$ 10,032 bilhões, sendo que R$ 444 milhões são para emendas parlamentares individuais. A condição para desfrutar da gorda fatia de R$ 11,6 milhões para cada parlamentar, é que os deputados aprovem a Lei de Diretrizes Orçamentárias “remendada” do governo.


Se, por um lado, o governo faz a política da boa vizinhança com os aliados através da distribuição dos loteamentos ministeriais, por outro, o aumento do valor das emendas é uma fórmula para agradar a gregos e troianos. As emendas, sendo o combustível dos mandatos, uma vez que garantem os investimentos dos redutos eleitorais dos parlamentares, acabam sendo o tipo de oferta irrecusável.

Assistimos às ações de um governo que passa por cima da Lei de Responsabilidade Fiscal, que foi uma das grandes conquistas dos brasileiros nos últimos 15 anos. Assistimos ao julgamento dos trabalhadores, manifestantes de uma resistência democrática, que são taxados de golpistas enquanto tentam conter o verdadeiro golpe, que vem de um governo que não assume a gastança e a dívida do país, que oferece a bagatela de R$ 6,9 bilhões em 2015 para o aval do Congresso sobre os seus desgovernos.


Assim como se fala em combater os financiamentos privados na Reforma Política, também deve ser feito o debate a respeito do financiamento público dos mandatos. A cada vez que a influência do capital, independente de origem, interfere nas decisões políticas, nos afastamos da consolidação de um sistema político plenamente democrático e representativo.  As emendas parlamentares são necessárias para a execução, para a consolidação dos projetos, mas devem, de uma vez por todas, serem operacionalizadas como tal e não como o troco das resoluções parlamentares.


Além das emendas, a decisão a respeito da revisão da meta fiscal é delicada e precisa ser tratada com seriedade. Afinal, o impacto será na credibilidade do país ante o tratamento das contas públicas e como a nossa economia passará a ser vista. Não é uma decisão comercial. É uma decisão política, econômica e de responsabilidade.

Foto: Brunno Melo / Rádio CBN

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