quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Ciclo de palestras da Fetracos aponta rumos para primeiro semestre de 2015

Nesta quarta-feira encerrou o ciclo de palestras promovido pela Fetracos, que reuniu os sindicatos de comerciários de todo o estado para avaliação das atividades deste ano, do cenário sindical no Brasil e no mundo, e para chegarmos a boas resoluções para o próximo ano.


Fomos recebidos na colônia de férias do Sindec Canoas, em Capão da Canoa. Uma bela sede, inclusive é uma pena não termos contado com a presença de representação do Ministério Público do Trabalho para conferir onde é empregado o dinheiro dos trabalhadores. Dinheiro que não é envolvido em "lava-jato" ou em mensalão, mas que é empregado em benefício dos trabalhadores e suas famílias, e na sua luta, para avançar na garantia de direitos. Parabéns ao Sindec Canoas, na figura do presidente Antônio Fellini, que nos recebeu tão bem, nos sentimos em casa nessa estrutura feita para os trabalhadores.


Após a ótima explanação técnica do assessor do DIAP André Santos, participamos de um painel de avaliação das relações do movimento sindical com a esfera política. Reiteramos que teremos um ano complicado pela frente e que exige grande mobilização nacional do movimento sindical. Aqui no estado, vamos enfrentar, por exemplo, um quadro deficitário nas contas, no efetivo da Brigada Militar, dos funcionários da área da saúde, de técnicos capacitados. Um quadro com mais funcionários aposentados que ativos, em um estado que não consegue arrecadar tanto quanto gasta. 


A nível nacional, a análise com base nos movimentos que o governo vem fazendo, a julgar pelos últimos 5 anos, é que ele é muito voltado ao sistema financeiro. Teremos pelo menos três ministros para trabalhar para o sistema financeiro, temos que ficar alerta. Quem serve ao sistema financeiro dificilmente contempla o sistema produtivo, a pequena indústria.

Ontem mesmo, pela manhã, o governo já disse que não vai dar a correção da previdência das domésticas. Foi vetado pela presidente o texto que diminuía de 12% para 6% a contribuição dos empregadores para a previdência dos funcionários e, da mesma forma a diminuição da contribuição direta do trabalhador.

O que se encaminha, para os trabalhadores, é um momento de estagnação. Vamos ter que nos mobilizar muito e começar a incrementar nossas pautas de atuação, abrir o leque e trabalhar no dia a dia das pessoas. O movimento sindical precisa voltar-se para os problemas da saúde, da educação, da mobilidade urbana, porque vamos precisar fazer a intercessão pela sociedade. Participar das Câmaras e Assembleias Legislativas das comissões, defender as demandas sociais, porque elas serão sentidas pelo trabalhador. Precisamos ter participação efetiva nos processos.

Ademais, destacamos neste encontro da Fetracos que chegou o momento de nós começarmos a avançar, trazer a participação de outros sindicatos, porque a nossa entidade é completamente diferente das outras na forma de agir e de pensar. A Fetracos traz aos dirigentes sindicais uma nova esperança, vem como um apêndice para desenvolver os sindicatos filiados, não para intervir na ação deles. E temos que estar preparados para o que vem pela frente no nosso país, porque o quadro é pior do que parece. Vamos ter um ano de muita luta, de muita dificuldade, recessão e arrocho. O nosso setor vai ser o último a sofrer, mas vai sentir, vai ter demissões. Nenhum empresário, nenhuma entidade que sustenta os empregos, falou bem do nosso momento econômico. Só os banqueiros elogiaram, mas quem produz, está apavorado. O dólar é quem determina o preço da nossa matéria prima, o custo da produção e do produto final. A tendência é termos um ano muito difícil.

Quando entrei no movimento sindical, também era um momento difícil, tinha inflação e não podíamos fazer nada. Nesse período, eu recebi um reajuste de 2.909,30% no meu salário, coisa que não se imagina hoje e que esperamos não precisar deste tipo de medida para conseguir comprar arroz e feijão. Mas é fato que vamos ter menos dinheiro, menos consumo e eles, que vivem dos nossos commodities, vão estar tranquilos. Mas não vamos nos render.

A nossa união não vai permitir que os trabalhadores se entreguem. Ontem foi celebrado o dia da família e o movimento sindical, a nossa federação, tem sido assim. Discutimos ideias, debatemos pontos de vista, mas caminhamos e atuamos juntos, em conjunto, e eu tenho certeza que se continuarmos essa união, que levou-nos a criarmos a Fetracos, ninguém vai nos atingir. Estamos aqui para ajudar quem está lá trabalhando, produzindo, esse é o nosso papel.


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