quarta-feira, 22 de julho de 2015

Chorar até quando?

Os efeitos severos da crise econômica no Rio Grande do Sul estão sendo sentidos pelas famílias gaúchas. O governo estadual está implementando medidas de austeridade para amenizar o déficit no orçamento deste ano, que ultrapassa R$ 5 bilhões. Porém, mais que isso, é necessário acabar com o efeito Gre-Nal e com o efeito maragato e chimango, que tanto assolam o Estado. Devemos abandonar as vaidades e diferenças e procurar nos unir para buscar alternativas e derrubar as barreiras que travam o desenvolvimento econômico, social e político do nosso Estado.

Um exemplo claro desse efeito é a tentativa de implantação da silvicultura, que gerou discussão e polêmica sobre os critérios para o zoneamento ambiental dessa prática, uma exigência para a instalação das empresas de celulose no Rio Grande do Sul. Observamos esses investimentos irem embora do nosso Estado, sendo que poderiam alavancar a economia da Fronteira Oeste e da Região Sul. Hoje, outros Estados crescem com a geração de emprego e renda dessas empresas que abandonaram o RS.

O governo deve ter coragem para discutir com a União a dívida pública do Rio Grande do Sul, pois o Estado pode parar se não houver impulso no crescimento. A dívida foi mal negociada e o Estado não pode mais pagar uma conta que não suporta, continuar sustentando pensões, uma folha de pagamento absurda do Legislativo e do Judiciário e deixando de conceder os bens principais para o seu povo, que são segurança, educação, saúde e infraestrutura. É preciso acabar com essa forma de arrecadar, sempre onerando o seu povo, o mais pobre e as pessoas que saem de casa para trabalhar e cevar o sustento da família.

Nosso governador deveria fazer o que o povo grego fez: dar um basta a essa dívida com a União e governar para o povo. É preciso atacar o problema, e o que se vê é o que o povo gaúcho está passando. Em 1993, 72% dos gastos com saúde eram bancados pela União. Atualmente são 42,93%, exemplo claro de que é necessário e urgente a realização de um novo pacto federativo.

Os problemas se acumulam para o Estado e cada vez mais para os municípios. Porto Alegre, em especial, é responsável por toda a Região Metropolitana e recebe demandas de todos os municípios gaúchos. Portanto, é necessário que o RS faça um plebiscito para decidir-se por pagar uma dívida com a União — que se perpetua e não é do povo trabalhador —, por garantir saúde e dignidade à população gaúcha ou para decidir se vai vender seus últimos patrimônios (CEEE, Banrisul e Corsan).

O governo deve voltar a nomear as pessoas que fazem mover a máquina pública e atendem aos anseios da população, entre elas, policiais militares, policiais civis, agentes de saúde e professores, e estagnar a nomeação dos cargos de confiança (CC) e apadrinhados políticos. Deve também pagar um salário digno e transparente para o servidor, para não precisar incrementar com adendos excessivos. É inadmissível que professores e policiais militares sejam mal remunerados, enquanto o Judiciário se preocupa em ter benefício de auxílio-moradia em valores exorbitantes. A receita não consegue acompanhar o crescimento das despesas, que gera o aumento do déficit público e problemas para a manutenção da qualidade dos serviços públicos.

O Rio Grande do Sul tem saída, e isso também passa pela implementação das alternativas propostas na Agenda 2020 e no Pacto pelo RS, que é um movimento que busca articular forças, a partir dos diferentes projetos políticos presentes no cenário estadual. As propostas são de reestruturação das finanças públicas — que seria a revisão da dívida pública a partir da alteração do índice da inflação que corrige a dívida —, e desenvolvimento regional.

Esse desenvolvimento deve ter a participação social, incentivando as potencialidades de cada região.

Além disso, é necessária uma modernização administrativa, que passaria não só pela melhoria das condições técnicas, mas também por uma readequação do pensamento da gestão pública como um todo. Outra sugestão é uma universidade de gestão pública para os servidores de todo o RS, em âmbito estadual e também municipal.

Parar com a disputa de ego e pensar no bem comum da população são atitudes decisivas para o Rio Grande do Sul voltar a crescer e se desenvolver.

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Artigo publicado na edição do jornal Zero Hora de 21 de julho de 2015.

Disponível online em:
http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticia/2015/07/claudio-janta-presidente-licenciado-da-forca-sindical-rs-chorar-ate-quando-4806452.html

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