terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Indignação seletiva: os problemas que eles não veem

Uma vida defendendo quem depende de ônibus, lotação e pega táxi de madrugada para levar o filho, os pais, ou um ente querido até a emergência dos nossos hospitais. Vou começar pelo mais importante: defendo a vida, defendo as leis.

A vida de milhares de pessoas que acordam antes do sol para trabalhar, que foram dormir sem poder dar um beijo no filho, que dormiu na cadeira esperando seu pai, ou sua mãe chegar. A vida de milhares de pessoas que esperam um ônibus que não chega, que vem lotado, que é assaltado. De pessoas que fazem dois, ou três turnos e nunca é suficiente. Não é suficiente para ter segurança, educação e saúde.

São essas as vidas que defendo e que passei a vida toda defendendo. Muito antes de ser vereador, fui sindicalista. Fui? Não, ainda sou. Sou sindicalista e vereador. Tenho orgulho da minha origem, da minha luta, da minha historia, de minha fé no trabalho, de representar meus colegas trabalhadores.

Há três anos, tive a honra de ser escolhido para representar, além dos comerciários, outros milhares de trabalhadores. Professores, enfermeiros, médicos, zeladores, engenheiros, vigilantes, advogados, policiais, jornalistas, rodoviários, eletricistas, funcionários públicos, autônomos e outras centenas de profissões que me elegeram vereador de Porto Alegre.

Entre estes, estão também os taxistas. Categoria sofrida, submetida diariamente à pressão do volante, stress do trânsito e, muitas vezes, a longas jornadas. Trabalhadores que carregam, no seu dia a dia, muitos sonhos – seus e dos outros. Como já fiz em dezenas de projetos apresentados na Câmara, muito mais do que defender uma categoria, defendi o direito da igualdade.

Não sou contra os aplicativos, e aqui se inclui o UBER. Sou contra a desigualdade, exploração da mão de obra, descumprimento das leis e desregulamentação. Podemos ter um novo serviço para a população, que contribua para melhorar o transporte urbano, mas com responsabilidade e deveres. Com regulamentação, que traga segurança a todos que usarem o serviço.

Segurança, inclusive, foi o que faltou no caso de espancamento, ocorrido na última quinta-feira, dia 26 de novembro. Uma covardia, que precisa ser investigada e punida com todo o rigor.

Mas a covardia tem diversas faces. E as redes sociais são uma delas. São aí que opiniões pessoais querem se transformar em verdades absolutas. Que ofensas tomam o lugar de argumentos. Que a palavra sem rosto fere espíritos desavisados e ameaças covardes amedrontam e sentenciam inocentes.

Não respondo a covardes. Eles são surdos que gritam suas incertezas, humilhações e mentiras. Respondo a quem defende o direito. Defendo quem busca avançar com outros projetos, a exemplo alguns meus, abrindo Postos de Saúde 24h; ampliando o atendimento nas creches até 22h; lutando por um sistema de ônibus com mais segurança e mais bem equipado, com tecnologia Wi-Fi de qualidade ao alcance de todos; caminhos mais seguros para o pedestre e vias mais bem sinalizadas para os veículos, com a garantia de que o pai ou a mãe que, seja de ônibus, táxi, carona ou Uber, tenha algum conforto ao carregar o filho doente nos braços, com a certeza de chegar à Unidade de Saúde e ser atendido.


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