terça-feira, 1 de março de 2016

Salário abaixo do mínimo

A discussão do reajuste do salário mínimo regional encerrou-se com mais uma derrota para os trabalhadores. Escancarando que, assim como o governo federal, o governo do estado prefere sangrar o próprio povo ao aumentar a carga tributária em vez de apostar na geração de renda, assistimos nesta terça-feira a maioria dos deputados aprovar a proposta encaminhada pelo governador, que reajusta o piso abaixo da inflação, pela primeira vez na história.

Além de ser um forte golpe em quem já estava dolorido com o aumento do ICMS, com os reflexos do parcelamento dos salários dos servidores e com os cortes nos repasses para os municípios, a aprovação do piso, sem ao menos a reposição da inflação, é um ato de permissividade em relação a dignidade de milhares de trabalhadores situados na base da chamada hierarquia salarial do nosso estado. Em um cenário de inflação que corrói o poder de compra, famílias gaúchas que já sofrem com as deficiências de um estado incapaz de prover saúde, educação e segurança, agora veem ameaçado o atendimento das suas necessidades mais básicas - com a caneta do governador e a condescendência de seus representantes no Legislativo.

A proposta, além de ser inferior a qualquer acordo aceitável, é também generalista, sem as devidas considerações a respeito das faixas salariais. Muitas delas estão defasadas e outras tantas continuaram não estabelecidas, deixando uma série de categorias sem serem contempladas.

Apesar do resultado desalentador, a mobilização dos trabalhadores deve ser mantida e intensificada. Se o alívio tão esperado não virá com o reajuste do salário, é preciso vislumbrar alternativas e continuar perseguindo um cenário de aquecimento econômico, trégua nos juros e redução da inflação.


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